9.10.2019—2.2.2020
SESC 24 DE MAIO,
SÃO PAULO PT EN

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TROFÉU

O troféu criado pelo artista Alexandre da Cunha para a 21ª Bienal de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil dialoga com a ideia de sentimento nacional que o historiador norte-americano Benedict Anderson relaciona ao fim dos impérios coloniais, entre outros fenômenos, no ensaio Comunidades imaginadas. A escultura de metal polido que será entregue aos premiados recria um coco com um canudo espetado, imagem onipresente em praias e ruas do Brasil e de países asiáticos. Trazida para o contexto da Bienal, ela remete tanto às economias informais das regiões tropicais quanto, numa nota mais provocativa, à fantasia cenográfica de seus paraísos de aluguel.

O coco de Da Cunha reproduz os golpes certeiros que os vendedores da fruta desferem para transformá-la no recipiente onde se bebe sua água: um corte seco, horizontal, na base, para que pare de pé, e outros, curtos e diagonais, no topo, para livrá-la de parte da casca e abrir o orifício por onde passa o canudo. Para o artista, são gestos propriamente escultóricos, que remetem à ação primitiva da transformação e ao escultor que trabalha uma pedra. De uma maneira que é recorrente em sua prática, ele se apropria do coco como escultura involuntária e, de certa forma, também do seu escultor.

Mesmo operando numa faixa de intervenção mínima, ao recriar as formas e texturas daquilo que chama de esculturas encontradas – um coco, um escovão, uma betoneira de uma tonelada –, o artista faz mais que apenas deslocá-las do contexto original. Sua apropriação, que enfatiza questões formais e aspectos esculturais, produz o paradoxo de evocar temas mais amplos. Daí ele gostar de dizer que é menos um fazedor que um apontador.

Neste caso, o canudo descartável que compõe o troféu-coco e a caixa que o acondiciona, feita de madeira pallet, a mesma dos engradados onde se transporta hortifrúti nos mercados municipais brasileiros, acabam de invocar o legado de invenção e precariedade das economias e culturas pós-coloniais.

 

ALEXANDRE DA CUNHA (Brasil, 1969) nasceu no Rio de Janeiro e vive em Londres. Suas obras foram vistas em diversas cidades do mundo e estão em grandes coleções particulares e internacionais, como Tate (Reino Unido) e Inhotim (Brasil). Entre suas exposições recentes, destacam-se individuais no Pivô, São Paulo (2017) e no Museum of Contemporary Art Chicago (2015) e coletivas no Institute of Contemporary Art de Boston (2016) e no Wexner Center for the Arts em Ohio (2014). Grandes esculturas ao ar livre do artista encontram-se em exposição permanente no Laumeier Sculpture Park de St. Louis, Missouri; na área externa do Monsoon Building, em Londres, e na Rochaverá Tower em São Paulo. Atualmente, desenvolve obra pública para uma estação do metrô de Londres que será aberta em 2021.

Joia Joia, 2019 - Banho eletrolítico de latão sobre alumínio, papel - 14 x 14 cm

TOPO

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