9.10.2019—2.2.2020
SESC 24 DE MAIO,
SÃO PAULO PT EN

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Gabriela Golder

Gabriela Golder

1971 | Buenos Aires, Argentina | Vive em Buenos Aires

SOBRE | DEPOIMENTO

Artista visual, curadora e professora. É codiretora da Bienal da Imagem em Movimento (Buenos Aires). A memória e a relação entre trabalho e identidade são temas frequentes nos vídeos e instalações da artista. Mostrou obras no Futura Centre for Contemporary Art, Praga e esteve na 10ª Bienal de Havana (2009). Participou em residências artísticas no Banff Center, CICV– Centre Internationale de Création Vidéo e no Wexner Center.


Somos imigrantes, trabalhadores, deslocados, mulheres, vítimas do terrorismo de estado. Quero escutar para aprender, para saber, para entender. Como fazemos para viver, para sobreviver? Quais são as estratégias? Os modos? Os relatos? Os temores? Quero aprender os ofícios, as forças, os movimentos. E, a partir disso, o próximo movimento é o que nos leva a pensar como é possível uma construção diferente, coletiva, para pensar e fazer.

Laboratorio de Invención Social, meu trabalho na 21ª Bienal Sesc_Videobrasil, propõe-se como um espaço de encontro. Meu com os trabalhadores, desde já, mas, fundamentalmente, dos modelos cooperativos, de recuperação, de reocupação com outros grupos, comunidades e pessoas.

Como é possível resistir diante e dentro deste modelo depredador? O que podemos fazer? Quais são as ferramentas? O que os outros fizeram? O que nós fizemos?

Sim, os modos de produção recolhidos no Laboratorio propõem formas de resistência e luta. Todos podemos aprender com isso, e então fazer. Do contrário, não vamos poder sobreviver.   

O que emerge nesses testemunhos são as estratégias de sobrevivência, a criatividade nos modos de construção. Os trabalhadores que aparecem na obra não eram militantes políticos antes da recuperação da fábrica, não sabiam que isso era possível, nunca tinham ouvido falar das cooperativas.   

“Todos fazemos tudo, todos cobramos o mesmo”. Essa foi uma das primeiras frases que me disseram. Esse, sim, é um postulado revolucionário em momentos em que os governos de nossos países nos arrasam com a implementação de políticas de repressão, fome e aniquilação dos direitos conseguidos pelos trabalhadores, pelas minorias.

Quando comecei a entrar em contato com os trabalhadores de fábricas recuperadas, quando aprendi sobre as cooperativas, seus modos de funcionamento, senti que de alguma forma isso tinha que ser útil para outras comunidades, que temos que nos organizar para ser mais fortes e resistir. 

Laboratorio de invención social (o posibles formas de construcción colectiva)

Laboratorio de invención social (o posibles formas de construcción colectiva)

2018 | Videoinstalação em quatro canais

 

A artista propõe uma série de ações sobre a situação do trabalho na atualidade a partir da experiência de trabalhadores que ocuparam fábricas e as recuperaram por meio da autogestão. Entre dois vídeos que trazem relatos desses trabalhadores a respeito do que os levou a modificar suas condições de trabalho, um vídeo central mostra rostos, espaços e atividades nas fábricas ocupadas. Com o registro dessa experiência, a artista realiza encontros em que propõe um trabalho colaborativo com o público, do qual poderão resultar intervenções visuais e audiovisuais.

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