9.10.2019—2.2.2020
SESC 24 DE MAIO,
SÃO PAULO PT EN

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Mohau Modisakeng

Mohau Modisakeng

1986 | Joanesburgo, África do Sul | Vive entre Joanesburgo e Cidade do Cabo, África do Sul

Artista visual. Possui graduação e mestrado pela Michaelis School of Fine Art, na Cidade do Cabo. Seu trabalho procura reelaborar a história do corpo negro no contexto sul-africano, marcado pela violência do Apartheid. Entre suas principais exposições estão individuais em instituições e festivais na África do Sul, Alemanha, Espanha, Estados Unidos, Holanda e Inglaterra, além de participações nas bienais de Veneza (2015 e 2017), Lyon (2015), Dakar (2012) e Martinica (2013).


Ga Bose Gangwe

Ga Bose Gangwe

2014 | Vídeo, 2’15’’

 

O vídeo mostra um grupo de homens. O contraste entre os corpos negros e o fundo claro é realçado pela imagem em preto e branco, assim como pelas saias brancas e bufantes em relação aos dorsos nus e magros. Deitados, os homens se movimentam para se levantar, mas não chegam a concluir o ato: antes que fiquem de pé, o vídeo reverte o movimento, devolvendo-os à posição inicial, na qual, no entanto, eles não permanecem. O loop em câmera lenta transforma as ações incompletas numa dança em que tédio, expectativa, frustração e beleza se complementam. O título sugere a ironia desse impasse esperançoso, sendo parte do provérbio tsuana “Phiri o rile ga bose gangwe”, que pode ser traduzido como: “A hiena disse: a alvorada não chega só uma vez”.

The Last Harvest

The Last Harvest

2019 | Performance, 40’ aprox

 

O Brasil foi o último país do continente americano a abolir formalmente a escravidão. Isso faz com que tenham um caráter de documento histórico raro as fotos de escravizados trabalhando numa fazenda de café no Vale do Paraíba, em São Paulo, tiradas por Marc Ferrez em 1882. O artista usa essas fotos como referência para uma encenação alegórica das tensões entre o escravizado, ansioso por se libertar, e o escravizador, que tenta impedir a libertação iminente. A performance inclui-se na longa pesquisa de Modisakeng sobre a escravidão instituída em diversas sociedades ao redor do mundo e, em especial, sobre a exploração dos corpos negros na formação das economias modernas.

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