9.10.2019—2.2.2020
SESC 24 DE MAIO,
SÃO PAULO PT EN

PT EN

Mônica Nador

Mônica Nador

1955 | Ribeirão Preto-SP, Brasil | Vive em São Paulo-SP, Brasil

SOBRE | DEPOIMENTO

Artista visual. Formada em artes plásticas pela FAAP e mestra pela ECA-USP. Em 2004, fundou o Jardim Miriam Arte Clube (JAMAC), em São Paulo, espaço cultural onde mora e desenvolve seus trabalhos de forma integrada à comunidade. Entre suas principais exposições, estão as bienais de São Paulo (1993 e 2006), Havana (2000), Sydney (2004), Gwangju, Coreia do Sul (2012) e Lubumbashi, República Democrática do Congo (2015), entre outras.

 


É a conjunção entre investigação artística, educação visual e colaboração que fundamenta o que convencionei chamar “autoria compartilhada”. Esse modo surge da minha preocupação inicial em alcançar pessoas sistematicamente afastadas dos circuitos de arte contemporânea. O convite se dá pela participação com desenhos (quaisquer) para que, conjuntamente, por meio de instrumentos formais da visualidade, construamos uma peça de arte, digamos, profissional, a partir da técnica do estêncil, que é então aplicado nas superfícies.

Em 2015, participei da Bienal de Lubumbashi, no Congo. Em meu último dia no país, Sammy Baloji, um dos fundadores do Picha, associação que surge para construir a Bienal, me levou a Makwatcha, uma aldeia de agricultores onde as mulheres pintam as casas com as mãos, desenhando nas paredes objetos e situações de seu cotidiano. Georges Senga, fotógrafo participante da Bienal em 2015 e também membro do Picha, já tinha essa série de imagens das paredes de Makwatcha, que usei para construir as estampas agora apresentadas na 21ª Bienal. A ideia é implantarmos este método de autoria compartilhada na aldeia para que a própria comunidade consiga utilizar o método para geração de renda – isto é, a partir de suas próprias bases culturais.

Esse tipo de movimento, em que acontece essa troca com diversos agentes e com a população, é bem comum para nós no JAMAC. Neste momento estou em Oslo, participando da OsloBiennalen com o projeto Uma Outra Gramática para Oslo, em colaboração com Bruno Oliveira, que também faz parte do JAMAC. Em 2019 fizemos parte da exposição Somos Muitos, na Pinacoteca, em colaboração com o projeto Extramuros, do Educativo do museu, e com o educador Augusto Sampaio. Dentro do JAMAC estamos construindo, com muitos percalços, a rede de produção e comercialização dos produtos de nossa estamparia em serigrafia (e também impressão digital), com o apoio administrativo de Renata Carvalho. Estamos construindo um grupo de atendimento a profissionais da educação, a Clínica de Educadores, levada por Ana Beatriz Domingues (que também é responsável pelas aulas de ioga), além de diversos outros projetos, como o Ponto de Cultura de Cinema liderado por Thais Scabio (cineasta parceira e diretora do JAMAC), as aulas de desenho com a Lahayda Dreger e as pinturas de pano de prato com a Izabel Gomes. No território da Cidade Ademar, temos como parceiras e parceiros um grupo de agentes culturais que tem realizado, há quatro anos, o Encontro de Literatura #CaiuNaRedeÉCultura, com produções locais e programação para as escolas do bairro. A rede de parceiros do JAMAC conta também com instituições como o MAC, Paço das Artes, Sesc, Casa do Povo e Casa 1.


Imagens de Makwatcha

Imagens de Makwatcha

2014-2019 | Instalação

 

Há uma tradição de pinturas de murais em Makwatcha, cidade próxima de Lubumbashi, na República Democrática do Congo. Elas são feitas por mulheres, com pigmentos naturais desenvolvidos localmente. Convidada para participar da 4ª Bienal de Lubumbashi, a artista propôs para a comunidade um trabalho similar ao que desenvolve no Jardim Miriam Arte Clube (JAMAC), em São Paulo, com foco na formação e geração de renda por meio da cultura. As estampas que compõem a obra são resultado dessa parceria, registrada pelo fotógrafo congolês Georges Senga.

Dando Bandeira

Dando Bandeira

2019 | Instalação composta de bandeiras em tecido

 

Rostos de mulheres fundamentais para a história latino-americana são estampados em bandeiras espalhadas pelo espaço. A instalação é um exercício de visibilidade e memória dessas mulheres, e tem o objetivo de reconhecer presenças excluídas de uma gramática colonial que constitui imagens supostamente neutras e universalizantes do mundo, mas que é apenas vinculada à construção de monumentos brancos, masculinos, cisgêneros, heterossexuais e hegemônicos.

TOPO